A Suíça brasileira: Monte Verde/MG

Uma vez, há muitos anos atrás, perguntei a um amigo o que fazer em Monte Verde. A resposta dele foi a mais espontânea possível: “namorar e comer, não necessariamente nessa ordem, só!”.

Monte Verde é considerado o Campos do Jordão de Minas Gerais, porém com menos pompa que a prima paulista. Meu amigo não estava errado. A cidade é uma das que mais recebem casais em lua-de-mel no país e sua gastronomia é realmente excelente.

O lugar tem ar de vila européia graças aos primeiros imigrantes, tanto que é conhecida como a “Suíça brasileira”, e fica localizada no sul de Minas, 1600m de altitude na Serra da Mantiqueira, distante 170km de São Paulo, longe do barulho e poluição das cidades grandes, sua vegetação e clima ameno renovam os pulmões e acalmam a mente.

Monte Verde é repleto de pousadas e chalés, e a escolha varia de acordo com o seu orçamento. Escolhemos o Chalés Raios de Sol , uma pousada pequena que dispõe de poucos chalés, mas bem aconchegante. Fomos super bem atendidas, o café da manhã tipo colonial era muito bom e possui wi-fi gratuito.


Como chegar: Para chegar você precisa ir pela Rodovia Fernão Dias até o município de Camanducaia/MG e lá você avistará placas que indicarão a estrada até Monte Verde. A serra é bem sinuosa, a velocidade permitida é baixa, a pista é simples e aconselho a não ir no período noturno já que o caminho é meio sinistro. Você poderá abastecer em Camanducaia (ida e volta), pois o combustível é mais barato que em Monte Verde.

Apesar de turístico, a cidade é pequena e a infraestrutura bem rústica. Somente alguns (poucos) trechos são asfaltados, algumas ruas são bem íngremes e de cascalho, exigindo certa habilidade para dirigir.

início da serra (foto: autor)

início da serra (foto: autor)

Clima: No inverno é comum os termômetros registrarem temperaturas abaixo de 0ºC. No verão as médias variam entre 26ºC durante o dia e 14ºC à noite, mas podem cair para 5ºC de repente. A região está sempre sujeita a quedas bruscas de temperatura; portanto, previna-se e leve sempre roupas adequadas na bagagem.

Gastronomia: Os restaurantes do vilarejo são ótimos e possuem uma grande diversificação de preços e pratos. As opções variam entre a típica cozinha mineira e pratos de origem européia, com forte influência italiana, alemã e portuguesa. Fondues, trutas, apfelstrudel, chocolates, queijos, cervejas importadas e nacionais, casas de chá, sorvetes, geléias, tudo isso e muito mais. Todo ano acontece (em meados de abril) o Festival Gastronomico. Dá p/ sair mais gordo e feliz de Monte Verde. Há uma cervejaria artesanal – Fritz, vale a visita.

comida mineira =9 (foto: autor)

comida mineira (foto: autor)

filé de truta empanado (foto: autor)

filé de truta empanado (foto: autor)

cervejaria artesanal Fritz (foto: autor)

cervejaria artesanal Fritz (foto: autor)

Noite: Existem alguns bares, inclusive passamos por um que tocava música ao vivo, mas a vida noturna do local é bem pouca e, dependendo do clima, praticamente nula. Fique atento que tudo na vila fecha cedo, além de alguns restaurantes não aceitarem qualquer tipo de cartão, seja débito ou crédito. Não deixe p/ jantar às 22h, pois vai correr grande risco de voltar com fome.

Compras: O vilarejo é bem pequeno e por isso possui pouco comércio e atividades. O comércio é concentrado na Avenida Monte Verde (a principal) e basicamente são agências de turismo, lojas de roupas, souvenirs, chocolates, cervejas, queijos, doces, queijos, doces e queijos.

av. monte verde (foto: autor)

av. monte verde (foto: autor)

Honestamente não vi grande diferença nos preços dos queijos e doces entre as lojas. Com certeza você encontrará pessoas que indicarão a loja X ou Y, mas visitamos todas e no final compramos em uma na avenida que nos atendeu super bem. Experimentamos tudo antes de comprar e mais de uma vez (só p/ ter certeza hahaha). Na verdade eu experimentei tudo em todas as lojas possíveis, não por gula (aham), mas porque alguns tipos de queijos variam o sabor de acordo com o fornecedor. Nunca imaginei que eu pudesse gastar tanto com queijo e doce. Gastei como se não houvesse amanhã, mas teve, então tente não exagerar na empolgação e pense se você vai consumir tudo aquilo que comprar.

foto: autor

foto: autor

Atividades: Você pode contratar guias nas agências de turismo ou pesquise na internet p/ saber quais atividades não necessitam de guias. Dá p/ fazer trilhas, cavalgadas, quadriciclo, motocross, tirolesa, arvorismo, rafting, bóia cross e contemplação.

vista da serra (foto: autor)

vista da serra (foto: autor)

Pontos turisticos: Chapéu do Bispo, Pico do Selado, Cachoeira da Onças, Pedra Partida e Pedra Redonda. Alguns lugares são beeeem próximos ao centro e aí não vale a pena contratar guia, né. Sempre bom dar uma pesquisada.

Porque eu não estou falando sobre isso com toda a empolgação e ricos detalhes costumeiros? Porque quando fomos, choveu. Choveu TO-DOS os dias, bem aquela garoa que dura o dia todo, ou seja, não fizemos nada lá.

Para não dizer que não fizemos nada, fizemos um mini curso sobre orquídeas no Orquidário MV que foi muito esclarecedor, valeu muito a pena e recomendo a visita.

Orquidário MV (foto: autor)

Orquidário MV (foto: autor)

R$: Barato e caro é algo muito relativo e particular, mas EU não considerei Monte Verde um lugar barato. Aquela velha relação do custo X benefício. Tudo bem que o charme do vilarejo é realmente ser rústico, isolado e coisa e tal, mas acho que cobram muito além por isso.

A hospedagem não é barata em nenhuma época do ano (especialmente durante o inverno) e olha que nem ficamos em uma pousada chique hein. Os restaurantes não são baratos, mesmo p/ nós que não abrimos mão de comer bem; e os doces e queijos também não. O mesmo queijo canastra que comprei lá, paguei a metade quando fui a Delfinópolis/MG. “Ahh Camila, mas é turistico, por isso tudo é caro!”. Sim, é turístico, mas eu não consegui ver o dinheiro do turismo aplicado como forma de investimento local, como acontece em Campos do Jordão, por exemplo. Por isso, EU achei caro.

Eu vi uma agência do Bradesco lá e, se não me engano, um supermercado possui um terminal 24h. Então é bom não contar com a disponibilidade de saque e levar dinheiro em espécie p/ qualquer eventualidade.


Talvez seja pelo fato de ter chovido todos os dias que Monte Verde não me despertou uma paixonite aguda pelo lugar,  apesar de ter gostado, na medida do possível, e pelo vilarejo ser muito bonito. Quem sabe quando voltarmos em uma próxima oportunidade e quando sobrar dinheiro, já que os preços lá são bem salgados.

Independente se você for sozinho ou em casal, Monte Verde é realmente é um bom lugar p/ não fazer nada, descansar a cabeça, relaxar mesmo, esquecer da vida, namorar, refletir, curar a fossa, whatever!

Leia mais: Guia de sobrevivencia em Monte Verde

(Cá)

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3 pensamentos sobre “A Suíça brasileira: Monte Verde/MG

  1. Moro tão perto de Monte Verde (em torno de 3 horas de carro, moro no interior de SP), e acredita que não conheço essa cidade ainda. Estou planejando ir em breve, mas é difícil arrumar companhia para ir, acho que o jeito vai ser se aventurar sozinha. Você chegou a fazer a trilha da pedra redonda? Se sim, foi com guia?

    Um grande abraço
    Josiane Bravo

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